sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mudanças Climáticas - A Resposta da Natureza

O Nosso Planeta está em Ebulição 

O planeta Terra chega ao seu limite...e agora?

Até agora, três dos limiares planetários – a mudança climática, a perda da biodiversidade e o ciclo do nitrogênio – já foram excedidos, e mais quatro – ciclo do fósforo, acidificação dos oceanos, uso de água doce e do solo – serão logo ultrapassados se as atividades humanas mantiverem o ritmo atual


(por Amâncio Friaça)

Um recente artigo da renomada revista Nature, assinado por 29 cientistas, busca quantificar o impacto da atividade humana sobre a Terra, identificando processos biofísicos e seus limiares que, se transgredidos, podem gerar mudanças ambientais inaceitáveis. Johan Rockström, da Universidade de Estocolmo, e os coautores propõem nove “limiares planetários”:

1-Mudança climática;
2-Perda da biodiversidade;
3-Interferência nos ciclos do nitrogênio e do fósforo;
4-Acidificação dos oceanos;
5-Uso global de água doce;
6-Mudanças no uso do solo;
7-Destruição do ozônio estratosférico;
8-Emissão de aerossóis na atmosfera;
9-Poluição química.

Esses limites definem um “espaço de operação seguro” para as pressões humanas sobre a biosfera.
O respeito desse espaço permitiria à humanidade continuar a prosperar por vários séculos no futuro.



10 mil anos de estabilidade

O planeta experimentou uma excepcional estabilidade ambiental nos últimos 10 mil anos. Este período, o Holoceno da geologia, começou no final da última glaciação e é caracterizado por uma temperatura global amena e praticamente constante, além de pouca variação dos fluxos geobioquímicos e da disponibilidade de água doce. Porém, na história do Homo sapiens sapiens, a estabilidade ambiental é exceção e não regra. Nos cem mil anos anteriores ao Holoceno, a temperatura global flutuou irregularmente. Foi quando nossa espécie exibiu uma imensa mobilidade: saiu da África, chegou à Austrália, migrou à Europa e entrou na América. Porém, a agricultura só surgiu durante o Holoceno. Antes, o clima errático, com amplas variações, teria dificultado a fixação do homem na terra. No Holoceno, a regularidade das estações favoreceu a passagem do nomadismo ao sedentarismo e a agricultura se desenvolveu na maior parte do globo; surgiram as cidades e as civilizações complexas. Com base na evolução prevista da órbita da Terra em torno do Sol, o Holoceno poderia prolongar-se por mais 50 mil anos. Ironicamente, contudo, foi a estabilidade mesma dessa era que antecipou o seu fim ao favorecer o desenvolvimento da humanidade e de suas ações destrutivas.


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